Sou um português que aos 31 anos decidiu recomeçar a vida no México. Larguei tudo o que tinha em Portugal e vim de armas e bagagens para o México. Serve este blog para partilhar as minhas aventuras e desventuras com amigos e familia que ficaram em Portugal.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O primeiro choque!!!


Nós estamos habituados a que quando vemos uma casa com mau aspecto, tiramos logo a conclusão que são pessoas pobres. Quando vemos varias dessas casas juntas, concluímos que se trata de um bairro pobre, com criminalidade e cheio de pessoas mal intencionadas. Eu como sou Português há 31 anos e nunca sai da Europa, quando aqui cheguei foi um choque.
Durante a viagem entre Cancun e Playa del Carmen, só se viam “barracas” à beira da estrada, a polícia com coletes aprova de bala e espingardas automáticas e barreiras policiais. Pensei que me tinha enfiado no gueto, mas também pensei, isto depois na cidade muda!
Quando fomos jantar, o restaurante situava-se mesmo no centro e a coisa piorou substancialmente. Muitas pessoas na rua, a maior parte delas com aspecto de que te vão espetar duas facadas para te assaltar, muitas casas pequenas e degradadas, a electricidade a passar por postes e não debaixo de terra, muitos carros quinados e muita polícia, todos com coletes a prova de bala e metralhadoras automáticas. O aspecto do restaurante também não melhorou….cadeiras de plástico, portas todas abertas, televisão que se via com muita chuva, um calor infernal e algumas pessoas com aspecto duvidoso lá dentro. Pensei que seria o meu fim ali.
Esta foi a minha primeira impressão do México. Que existia alguma pobreza e que eram todos bandidos e gatunos. ERRADO!!!!
Com o passar dos dias, fui observando as pessoas, os lugares, o estilo de vida. E consigo perceber (posso estar equivocado porque estou cá à pouco tempo, mas duvido) que não são bandidas, nem gatunas, nem pobres, nem nada dessas coisas más. São apenas pessoas simples, muito trabalhadoras, que são felizes com pouco.
Nós (europeus) temos a tendência para valorizar os bens matérias. Em Portugal, acontece muito frequentemente sermos julgados pelo carro que temos, pelo telemóvel, pelas roupas……muitas vezes não somos avaliados como pessoas mas sim como bens de consumo. Aqui isso é diferente e começa cedo nas escolas. Já tive a oportunidade de passar por algumas escolas em todas (publicas e privadas) as crianças e adolescentes adam com uniformes. Sejam pobres ou sejam ricos, andam todos vestidos de igual, evitando assim julgamentos prévios só pelo estilo de roupa que tens ou pela qualidade da mesma. As pessoas não têm pouco porque não têm dinheiro, mas sim porque não precisam e não ligam aos luxos que a maior parte de nós nos habituamos e com os quais não podemos viver sem eles. Eu dou como exemplo os carros e as casas. Os carros aqui andam quase todos batidos. São poucos os que andam inteiros! Ou têm um farol partido, ou uma amolgadela, ou riscos ou a pintura toda quinada, mas andam assim, não porque as pessoas não tenham dinheiro, ou porque não hajam mecânicos (até os há em bastante quantidade) mas sim porque as pessoas não são escravas dos bens. Para elas o carro existe para os servir e não o contrário e quanto menos gastarem nisso, melhor para elas, porque ficam com mais dinheiro para outras coisas, como a educação dos filhos, ou comer, ou passear, ou que lhes apeteça fazer. Como não são julgadas pelo que têm, pela aparência, não ligam e não investem nisso. Não é como muita gente que conheço que o carro tem um riscozinho de caca e ficam logo doentes e vão logo comprar tintas ou mandam pintar o carro, só por causa de um risco. O mesmo se passa pelas casas. As casas estão quinadas ou semiacabadas pelas mesmas razões que os carros estão quinados. Desde que a casa lhes sirva para dormirem e passarem tempo de qualidade com a família, é o que interessa. É claro que como em todo o lado existem casas boas…urbanizações novas e claro esta que as pessoas também compram casas ai, mas não vão estar a empenhar uma vida inteira por causa de uma casa. Se não têm dinheiro para pagar a casa em 5 ou 10 anos, simplesmente não a compram. Não contraem dividas desnecessárias que lhes pode comprometer os estudos dos filhos e o seu tempo de qualidade com a família e passeios e tudo e tudo.
Outra curiosidade e choque é a falta de stress e a felicidade das pessoas. Ninguém anda stressado nem com má cara. Se formos à baixa em Lisboa, vemos várias pessoas a caminhar muito rápido, outras a correr e grande parte (tirando os turistas) com a cara fechada e mau humoradas. Aqui…não à nada disso. É claro que também há pessoas mal humoradas ou com algum stress, mas isso é inevitável em qualquer parte do mundo. No centro…baixa de Playa vê-se as pessoas a caminharem calmamente, sem stress, com sorrisos na cara, a cumprimentar este e aquele e notasse alguma felicidade nos rostos. Portanto, as pessoas são felizes com pouco…..ou se calhar elas é que têm muito e nós……bom, fica ao critério de cada um avaliar o que lhes faz mais falta…se tempo de qualidade a passear com quem mais gostam ou um computador de ultima geração.
Para já foi esta a ideia com que fiquei deste povo aqui de Playa. Um povo simples e sem stress que aproveita o que a vida tem de bom para nos dar sem se agarrarem aos bens materiais.

1 comentário:

  1. Olha, rapaz, que me tens com as lágrimas nos olhos pelo "choque"... T.T
    Pois é, somos felices, gastamos só no que precisamos porque há coisas más importantes..
    Só posso dizer que na praia há menos stress, tudo é mais calmo porque nas cidades (DF, Mty, Gdl) estamos igual que na Lisboa, com pessoas "jetonas", alunos com uniformes, mas seja pública ou privadas, as crianças e miúdos fazem julgamentos prévios pelo que tem, muitos carros, muito ladrao...
    Tás muito melhor lá na Playa de Carmen, como dissemos os mexicanos: "Caíste en blandito", jajaja... Abraço!!!

    ResponderEliminar