Sou um português que aos 31 anos decidiu recomeçar a vida no México. Larguei tudo o que tinha em Portugal e vim de armas e bagagens para o México. Serve este blog para partilhar as minhas aventuras e desventuras com amigos e familia que ficaram em Portugal.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O jardim zoológico

Ao que parece, tenho um jardim zoológico em casa! Entre os animais domésticos normais (moscas, mosquitos, melgas, formigas, etc), temos também baratas, lagartixas, bichos com muitas patas, bichos com cores interessantes, etc.


Não faço a mínima ideia que espécime é este (ainda estou a catalogar as espécies e a construir o seu habitat natural), mas achei piada e tirei fotografia. Infelizmente é o único espécime do qual tenho registo fotográfico, os restantes são um bocado tímidos. Claro está que não sobreviveu para contar aos amigos que foi fotografado.
Para além deste estranho bicho, temos também uma lagartixa (eu julgo que é sempre a mesma) que anda por aqui a passear todos os dias. A particularidade deste, é que é uma lagartixa toda branca.
Estes são apenas dois casos peculiares que me lembro e que encontrei até agora (infelizmente só fotografei este espécime). Temos muitos animais aqui que eu nunca tinha visto (a maior parte deles são voadores) e temos também um que é comum em muitas partes do globo......baratas!!!
Estes animais parecem-me perseguir, porque já tive a minha dose de baratas em Portugal (pensava eu). Aqui é algo tão comum, que é quase comparável a formigas. A diferença está em que, são maiores, estalam quando são pisadas, têm um aspecto nojento e, como as coisas só têm tendência para melhorar, elas voam.
Normalmente associamos as baratas a sitio sujos, com muito lixo, onde existem uma serie de doenças, etc. Aqui isso não acontece. Não é que sejam as ruas mais limpas que eu já tenha visto, mas não existe lixo amontoado na rua e no entanto, elas andam na rua. No outro dia estava a voltar para casa, quando vi 4 baratas no meio da rua (certamente iam ás compras), dai a comparação com formigas. Também já encontrei uma dentro de um centro comercial, tranquila da vida!
Aqui é uma guerra para conter estes bichos, porque eles voam!!!! Supondo que se coloca veneno para as matar, num determinado sitio, efectivamente o veneno vai matar aquelas que se encontram próximo do veneno. No entanto, como elas voam e o veneno não dura para sempre, vão voltar a aparecer baratas porque vêm de outra parte da cidade, ou mesmo de outra cidade ou ainda do meio da selva.
Infelizmente é algo com o qual temos que conviver. O meu amor, é que não acha muita piada à coisa e quase que se lhe dá 3 ou 4 AVC's seguidos de cada vez que encontra uma. Eu por outro lado, já vou com uma contagem jeitosa......10-0. Zero porque ainda nenhuma barata me conseguiu esmagar contra o chão.

A nossa casinha!

Este blogue anda uma missa porque não tenho tido muito tempo para escrever e a criatividade também não tem sido muita. Entre procura de casa, mudar de casa, procurar emprego, visitar a sogra, ambientar o cão, etc, não me sobrou muito tempo para continuar a contar as curiosidades de Playa del Carmen/México.
Hoje em vez de andar aqui a explorar alguns tesourinhos deprimentes, vou explorar o tema casa.
Quando chegamos ao México, ficamos em casa de um casal amigo da minha digníssima esposa. Um argentino e uma cubana, que de uma forma muito simpática nos acolheram. Gente boa e simples, que não me conhecendo de lado nenhum, me acolheram em sua casa dando-me tudo o que podiam. Deixo aqui publico o meu MUITO OBRIGADO por tudo.




Ora como nós não podíamos ficar ali eternamente (não é que me importasse muito porque eles são muito simpáticos e a zona era muito gira, como puderam ver), dedicamos grande parte do nosso tempo a procurar casa. Vamos então ver nos jornais e numa revista muito popular aqui que se chama Andale (para os mais curiosos, a revista tem site). Ligamos para meia dúzia de estúdios e pegamos nas perninhas (sim porque carro que é bom....nada) e vamos lá ver esses estúdios.
Andávamos à procura de algo no centro de Playa del Carmen, porque o futuro trabalho da minha esposa, ficava perto do centro e como ainda ninguém se chegou à frente para nos oferecer um carro, assim estávamos mais perto de tudo e do seu trabalho.
Os estúdios que fomos ver eram qualquer coisa de espectacular!!! Não, não eram nada espectaculares (mas podiam ser). Eram deprimentes. Infelizmente não tirei fotografias a nenhum, mas lembro-me particularmente de um, que ao lado tinha um dentista, por baixo tinha uma loja de reparação de ar-condicionado (um sucesso por estas bandas este tipo de negócio) mais uma quantidade de outras lojas pequenas e mais uma avenida principal mesmo em frente. Por dentro tinha quatro paredes, um tecto e um chão (o que já é bem bom), uma cama, duas cadeiras de plástico, um "fogão" eléctrico de dois bicos, lava loiça, um chuveiro que metia medo, sanita e lavatório. Tinha também uma ventoinha de tecto e como bónus tinha um cheiro pestilento que só me fez lembrar os orcs do filme "Senhor dos Anéis" ou qualquer outro animal pestilento que se vê nos filmes. Só faltava ver meia dúzia de "cucarachas" (para quem não conhece a música da cucaracha e não sabe o que é, eu ajudo e traduzo....cucaracha=barata(animal)) por ali instaladas a dizerem-nos "Olá, vizinhos! Sejam bem vindos à nossa humilde casa".
Depois de alguns estúdios vistos e passados alguns dias, comecei a desesperar, não só porque não encontrávamos nada de jeito, mas também porque já estava farto de fazer quilómetros sob um sol abrasador.
Tínhamos vindo de ver mais uma casa degradante, quando demos com um catrapázio gigantesco que dizia que alugavam apartamentos mobilados. Olhamos para o edificio e até tinha bom aspecto e resolvemos ligar. A senhora veio passado 15 minutos e......Bingo!!!!! Tinhamos achado a polvora! Uma casa, com um quarto se parado do resto da casa e a casa de banho também, onde aparentemente não existiam baratas, com internet, moveis, ar-condicionado, a 4 quarteirões da praia e a uns 10 do trabalho da esposa e ainda por cima a um preço relativamente barato. Muito bom!
Vou agora passar a fazer a visita guiada da coisa:


 Não, não faltam as guaritas, nem é a entrada de um forte e muito menos tem algo relacionado com o exército mexicano. Esta é a entrada para a nossa casa (como vêm o catrapazio é gigante). A casa não fica aqui na frente, mas sim nas traseiras desta casa, onde temos que passar um mini corredor para ter acesso à nossa casa, o que é muito bom, porque não estamos próximos da estrada e assim não estamos constantemente a ouvir os carros a passar.


Tirando as malas, tudo o que se encontra na foto faz parte da casa. A maior parte das pessoas nesta altura está a pensar, "Mas isso é o normal. Alugas uma casa e vem com os moveis.". Pois aqui não é bem assim, bom pelo menos pelo preço que pagamos.
Entretanto o senhorio (um italiano), antes de chegarmos, mandou pintar a casa e depois de já estarmos instalados, envernizou os móveis e comprou um sofá novo, porque este estava todo quinado.


Esta porta dá acesso ao quarto.

 
 Aqui temos o quarto, com ar-condicionado, que é algo essencial para se conseguir dormir com tanto calor e ainda tem um ventilador de tecto, à semelhança da sala/cozinha.
Aqui encontra-se a casa de banho, pequena, mas funcional.
O aluguer deste palácio, com internet, tv por cabo e aguá incluído no preço, dá a módica quantia por mês de $5000 pesos mexicanos (podem fazer as contas a $10000 pesos por pessoa de salário mensal). Não é caro, tendo em conta a localização e a estrutura da casa. Cheguei a ver estúdios pelo mesmo preços (mais próximos do centro) em que não tinham praticamente nada.
Claro que tínhamos casas, com melhores condições e mais baratas, ou pelo mesmo preço, mas longe do centro em que tens que ter obrigatoriamente um carro para te poderes deslocar, caso contrário, acaba-se por se gastar muito nos "transportes públicos" (um tema a desenvolver noutro post).
Resumidamente, estamos muito contentes com a casa e com os vizinhos que é uma mistura de culturas (quase que posso dizer que moro num "condominio" da ONU). Temos como vizinhos, um servio, 2 cubanos, 2 mexicanos, 2 argentinos e nós, 1 português e mais 1 cubana. Temos também outro tipo de vizinhos que vão desde 4 patas até umas 30, mas isso também será desenvolvido em outro post.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O primeiro choque!!!


Nós estamos habituados a que quando vemos uma casa com mau aspecto, tiramos logo a conclusão que são pessoas pobres. Quando vemos varias dessas casas juntas, concluímos que se trata de um bairro pobre, com criminalidade e cheio de pessoas mal intencionadas. Eu como sou Português há 31 anos e nunca sai da Europa, quando aqui cheguei foi um choque.
Durante a viagem entre Cancun e Playa del Carmen, só se viam “barracas” à beira da estrada, a polícia com coletes aprova de bala e espingardas automáticas e barreiras policiais. Pensei que me tinha enfiado no gueto, mas também pensei, isto depois na cidade muda!
Quando fomos jantar, o restaurante situava-se mesmo no centro e a coisa piorou substancialmente. Muitas pessoas na rua, a maior parte delas com aspecto de que te vão espetar duas facadas para te assaltar, muitas casas pequenas e degradadas, a electricidade a passar por postes e não debaixo de terra, muitos carros quinados e muita polícia, todos com coletes a prova de bala e metralhadoras automáticas. O aspecto do restaurante também não melhorou….cadeiras de plástico, portas todas abertas, televisão que se via com muita chuva, um calor infernal e algumas pessoas com aspecto duvidoso lá dentro. Pensei que seria o meu fim ali.
Esta foi a minha primeira impressão do México. Que existia alguma pobreza e que eram todos bandidos e gatunos. ERRADO!!!!
Com o passar dos dias, fui observando as pessoas, os lugares, o estilo de vida. E consigo perceber (posso estar equivocado porque estou cá à pouco tempo, mas duvido) que não são bandidas, nem gatunas, nem pobres, nem nada dessas coisas más. São apenas pessoas simples, muito trabalhadoras, que são felizes com pouco.
Nós (europeus) temos a tendência para valorizar os bens matérias. Em Portugal, acontece muito frequentemente sermos julgados pelo carro que temos, pelo telemóvel, pelas roupas……muitas vezes não somos avaliados como pessoas mas sim como bens de consumo. Aqui isso é diferente e começa cedo nas escolas. Já tive a oportunidade de passar por algumas escolas em todas (publicas e privadas) as crianças e adolescentes adam com uniformes. Sejam pobres ou sejam ricos, andam todos vestidos de igual, evitando assim julgamentos prévios só pelo estilo de roupa que tens ou pela qualidade da mesma. As pessoas não têm pouco porque não têm dinheiro, mas sim porque não precisam e não ligam aos luxos que a maior parte de nós nos habituamos e com os quais não podemos viver sem eles. Eu dou como exemplo os carros e as casas. Os carros aqui andam quase todos batidos. São poucos os que andam inteiros! Ou têm um farol partido, ou uma amolgadela, ou riscos ou a pintura toda quinada, mas andam assim, não porque as pessoas não tenham dinheiro, ou porque não hajam mecânicos (até os há em bastante quantidade) mas sim porque as pessoas não são escravas dos bens. Para elas o carro existe para os servir e não o contrário e quanto menos gastarem nisso, melhor para elas, porque ficam com mais dinheiro para outras coisas, como a educação dos filhos, ou comer, ou passear, ou que lhes apeteça fazer. Como não são julgadas pelo que têm, pela aparência, não ligam e não investem nisso. Não é como muita gente que conheço que o carro tem um riscozinho de caca e ficam logo doentes e vão logo comprar tintas ou mandam pintar o carro, só por causa de um risco. O mesmo se passa pelas casas. As casas estão quinadas ou semiacabadas pelas mesmas razões que os carros estão quinados. Desde que a casa lhes sirva para dormirem e passarem tempo de qualidade com a família, é o que interessa. É claro que como em todo o lado existem casas boas…urbanizações novas e claro esta que as pessoas também compram casas ai, mas não vão estar a empenhar uma vida inteira por causa de uma casa. Se não têm dinheiro para pagar a casa em 5 ou 10 anos, simplesmente não a compram. Não contraem dividas desnecessárias que lhes pode comprometer os estudos dos filhos e o seu tempo de qualidade com a família e passeios e tudo e tudo.
Outra curiosidade e choque é a falta de stress e a felicidade das pessoas. Ninguém anda stressado nem com má cara. Se formos à baixa em Lisboa, vemos várias pessoas a caminhar muito rápido, outras a correr e grande parte (tirando os turistas) com a cara fechada e mau humoradas. Aqui…não à nada disso. É claro que também há pessoas mal humoradas ou com algum stress, mas isso é inevitável em qualquer parte do mundo. No centro…baixa de Playa vê-se as pessoas a caminharem calmamente, sem stress, com sorrisos na cara, a cumprimentar este e aquele e notasse alguma felicidade nos rostos. Portanto, as pessoas são felizes com pouco…..ou se calhar elas é que têm muito e nós……bom, fica ao critério de cada um avaliar o que lhes faz mais falta…se tempo de qualidade a passear com quem mais gostam ou um computador de ultima geração.
Para já foi esta a ideia com que fiquei deste povo aqui de Playa. Um povo simples e sem stress que aproveita o que a vida tem de bom para nos dar sem se agarrarem aos bens materiais.