Sou um português que aos 31 anos decidiu recomeçar a vida no México. Larguei tudo o que tinha em Portugal e vim de armas e bagagens para o México. Serve este blog para partilhar as minhas aventuras e desventuras com amigos e familia que ficaram em Portugal.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Desportos Caseiros

Aqui em casa tenho principalmente dois desportos:
   - Bater no cão;
   - Matar baratas.
A primeira, já nem tanto, porque tivemos que remediar a coisa, senão ia dar em maluco, porque era todos os dias depois de deixar a mulher no trabalho, chegava a casa e tinha que bater no cão, porque só se lembrava de fazer porcarias. Desde roer o sofá, a quase estragar o portátil (conseguiu a proeza de partir uma peça dentro do portátil), a espalhar as minhas meias pelo chão bem como a roupa que apanhava, fazer xixi e coco na sala, roer velas, brincar com as almofadas no chão, fazer xixi no sofá.....enfim, um quase interminável de porcarias que fazia. Isto durante duas semanas, até que resolvemos por fim à coisa, porque ou não estava a aprender ou estava a fazer de propósito. Estratégia infalível...comprar uma caixa de transporte para o deixar lá dentro. A gota de água foi quando fez xixi no sofá. A minha mulher passou-se da cabeça e eu sai a correr para o supermercado mais próximo comprar a dita caixa (não fosse a coisa sobrar para mim também). Remédio santo. Agora posso deixar coisas ao alcance dele, porque como está dentro da caixa, não consegue chegar a nada e toda gente anda feliz, nós porque não temos que lhe dar meia duzia de galhetas e ele porque não tem que levar no focinho!!!!
A segunda é um desporto que o faço todos os dias, mas era algo que eu dispensava muito. Basicamente há muitas baratas aqui na redondeza (como já expliquei num post anterior) e elas insistem em aparecer aqui à porta. A cena curiosa disto é que a coisa acontece todos os dias. Existe sempre uma barata que vem aqui parar à minha porta todos os dias por volta da 1 ou 2 da manhã. Ás vezes chegam mais cedo....mas é muito comum ser por volta da mesma hora.
Ás vezes consigo vê-las a fazer a aproximação há casa (não se esqueçam que estas são aviadoras) e rapidamente fecho a porta para depois sair de vassoura em punho e lá vou eu tentar exterminar a coisa. Ainda só tive duas que conseguiram concluir a aproximação com sucesso. Uma entrou a voar pela casa a dentro e a outra aterrou mesmo à porta e ficou ali a olhar para mim tipo cenário do velho oeste, quando havia duelos ente o xerife bonzão do sitio e o bandido mau com os dentes todos podres. Para que não restem dúvidas, eu sou o xerife bonzão e elas o bandido, está claro. O desgraçado do cão é que se borra todo, porque pego na vassoura e começo a tentar acertar-lhes e ele com medo que lhe calhe alguma coisa, enfia-se debaixo do sofá ou debaixo da cama, o que estiver mais perto. Só sai quando vê que já não há movimentação da vassoura e então vai investigar o que aconteceu. Mas é um desafio acertar-lhes são uns bichos muito esquivos e difíceis de matar porque ás vezes só lá para a terceira ou quarta vassourada é que lhes consigo apanhar.
Para ver se consigo remediar a coisa, comprei uma espécie de doença para elas, que é um gel que elas gostam muito que as põem doentes. O fixe da coisa é que é transmissível entre elas o que perfaz com que com pouco consiga matar muitas.
Bom a ver se isto do gel funciona, porque estou muito cansado de matar baratas e qualquer dia a liga protectora dos animais vem cá dar-me vassouradas a ver se gosto!!!

Eu sou o Sid (a perguiça)

Olá! Eu sou o Sid e tenho 5 meses.Não faço a mínima ideia porque raio é que os meus pais me puseram o nome de uma preguiça, aquela do filme Idade Do Gelo, quando eu acho que sofro de hiperactividade.









Fez 5 meses que cheguei no bico da cegonha a casa de uma senhora muito simpática, que mais tarde me vim a inteirar que é a mãe da minha mãe...o que perfaz dela a minha avó...5 meses e já sou tão inteligente, até me assusto a mim mesmo com tanta inteligência.
De inicio era só amor e carinho, quando eu ainda mal me mexia, depois comecei com uma certa e determinada comichão na boca, que vim a descobrir mais tarde que eram dentes e comecei a morder tudo, inclusive aquela coisa que os humanos têm agarrado ao corpo com cinco palitos. Sortudos que têm dez palitos para tirar a comichão da boca e eu não tenho nenhum. Entre outras coisas que eu ia utilizando para aliviar a coisa, tive uma ideia luminosa, se eles têm dez posso ir roendo um de vez em quando.

  





Não sei porque mas comecei a ouvir palavras novas e altas, juntamente com umas festinhas mais fortes no meu focinho. Ainda hoje estou para perceber qual é o grande drama de me emprestarem um dos seus dez palitos...Para brincar comigo estava também o meu papá biológico, que nunca foi muito dado a grandes brincadeiras. Eu queria correr e saltar e morder-lhe as orelhas mas ele só queria saber da sua estúpida bola e não me ligava nada e ainda por cima de vez em quando ladrava-me e corria comigo de ao pé dele. Enfim, é duro ser criança por estas redondezas.
Certo dia chegaram dois humanos novos não sei bem de onde, que me vim a inteirar que eram os meus papás. A mamã é muito simpática, brinca comigo e deixa-me fazer muitas coisas, já o papá é um bocado atrasado mental, também brinca comigo, mas começa a espumar da boca quando o chateio muito ou quando tenho que ir à casa de banho. Por falar em casa de banho, estou muito contente com a casa de banho desta casa, a única coisa chata é que puseram na casa de banho, a cozinha, a sala e o quarto dos humanos. Gente estranha esta. Ás vezes, poucas, apetece-me fazer xixi e coco ao ar livre e então vou para o terraço e faço lá, mas como aquilo dá uma aragem estranha, principalmente quando estou a fazer coco, prefiro fazer na casa de banho gigante.





Poucos dias depois dos meus papás chegarem a casa da minha avó, puseram-me dentro da minha mala de viagem e fomos para dentro de uma coisa muito grande com rodas e que corria muito mais que eu e quando saímos, fomos para outra casa. Coisa estranha....parecia uma máquina para viajar. Decidi portar-me muito bem porque ao final de contas não sabia se aquela coisa grande com rodas me ia comer vivo ou não, então a melhor coisa que fiz foi dormir. Dormi quase todo o tempo ao colo dos meus papás. Acho que eles também estavam com medo, porque também estavam a dormir.
Quando cheguei tudo era muito novo para mim e comecei por farejar tudo o que me aparecia à frente e descobri que estes humanos estão loucos porque uma vez mais fizeram a minha casa de banho no mesmo sitio onde comem e dormem e vêm televisão. É agradável esta nova casa...é um bocadinho maior e tem muitos animais pequeninos para eu comer. Tem também um pátio fora da casa, cheio de pedrinhas para brincar e muitos muitos bichinhos para comer. Fome não passo.
Os meus pais passam o dia comigo a brincar e a gritar "Não!!!". Acho que deve de ser uma palavra de contentamento por coisas que faço...ainda não percebi bem. Quando chega a noite os meus pais saem, o papá vai levar a mamã ao trabalho, e eu fico sozinho em casa. Claro está que me dá uma grande vontade de ir a casa de banho, ora como estou numa casa de banho gigante, é à patrão. Onde e quando me apetece faço o que quero, no entanto de cada vez que o meu pai chegava a casa dava-me muitos carinhos fortes e levava-me aos sítios onde tinha feito as minhas necessidades e dizia "Não! Não! Na rua, na rua." (foi aqui que percebi que o não era porque fazia algo que eles não gostavam muito) e deixava-me no pátio. Acho que ele me quer dizer alguma coisa mas não percebo bem o que.
Descobri um sitio aqui em casa espectacular para tirar esta comichão horrível dos dentes...algo a que eles chama de sofá!!! Tem uma parte fofinha e rija....é uma maravilha. Estranho é que a parte fofinha vai desaparecendo com o tempo....nota mental: dizer aos papás para comprar um sofá novo com mais coisas fofinhas porque este não vai durar muito tempo a este ritmo.


Entretanto, descobri que o papá tem muitas coisas giras para eu brincar e tirar esta comichão horrível dos dentes, mas também descobri que ele é como o meu papá biológico, não gosta muito que eu lhe mexa nas suas coisas. No outro dia, estava em casa sozinho e estava a sair um fio desta maquineta que estou a utilizar para escrever (sim eu sou um cão muito dotado) e resolvi brincar só um bocadinho com aquilo, resultado, apanhei o susto da minha vida....a maquineta caiu da mesa para o chão. Ia-me dando um ataque cardíaco e tudo, com o susto que apanhei. Mas olha já que estava ali no chão e dali não passava, resolvi continuar a minha brincadeira com o fio. Quem não gostou muito disto foi o meu papá, que quando chegou a casa, começou a espumar da boca (um cenário dantesco por sinal) e ia-me matando. Não morri do ataque cardíaco ia morrendo com os carinhos fortes que o meu pai me deu e desta vez deu-me muitos.
Houve um dia que os papás já estavam a dormir e eu como não tinha sono e não os podia chatear porque ainda não consigo saltar para cima da cama (o que é uma pena...quando puder vai ser a maluquice), resolvi ir para debaixo da cama, onde faz muito fresquinho, e vi um cabo pendurado de um aparelhometro que o papá usa muito para falar e brincar (papá se não souberes o que me vais dar pelo Natal, pode ser uma coisa dessas). Como estava aborrecido porque não tinha nenhum dos meus brinquedos para brincar, resolvi ver como era brincar com aquele fio que ali estava pendurado....resultado, o aparelhometro veio parar ao meio do chão. Escusado será dizer que choveu outra vez carinhos a uma velocidade terminal. Acho que o melhor é ficar longe dos fios, porque estes carinhos todos me começam a doer bastante.


Entretanto utilizei os ténis e o cinto do papá por causa desta comichão crónica que tenho nos dentes (alguém já me leva ao médico....é só uma dica) e aparentemente ele não se importou nada porque não me disse nada.



Mas também se não se importou com isso, não sei porque manda vir comigo quando brinco um bocadinho com as suas meias, ou roupa....enfim, sou um incompreendido por parte do meu papá (que aparentemente também não joga com o baralho todo...acho que lhe deve faltar umas 30 cartas ao baralho), já a mamã deixa-me fazer muita coisa e não manda vir comigo só de vez em quando e não tem uma voz assustadora como o papá, até lhe dá um ar querido quando se irrita que só me apetece ficar parado a olhar para ela, já com o papá fujo a sete pés para baixo do sofá ou da cama ou para trás do fogão, o que estiver mais perto....não vá o diabo tece-las.
Aqui à dias o meu papá levou-me com ele quando foi buscar a mamã ao trabalho, que giro que foi!!!!! Tanta coisa nova e tantos sustos que apanho. Descobri mais uma centena de coisas novas. Descobri que afinal aquela máquina grande com rodas serve para transportar humanos e animais e um monte de mobília que ficavam bem lá em casa para me ajudar com o meu grave problema de comichão. Descobri também a areia...que cena estranha. Aquilo fazia uma certa confusão nas patas, não consigo explicar bem. Fazia tanta impressão que comecei a andar de uma forma estranha e aos pulinhos, mas é uma coisa que passa, porque depressa me habituei. Sou um cão muito versátil. Outra coisa que é chata é o cheirar....não dá muito jeito cheirar a areia porque aquilo tem tantas pedrinhas tão pequenas que me entram pelo nariz adentro e isso não é nada bom, porque depois tenho que espirrar para elas saírem. Ainda gostava de saber de quem foi a ideia de partir as pedras tão pequeninas....podiam parti-las um bocadinho maiores e assim já podia brincar com elas e tudo. Mas pronto, até foi giro. Como a mamã não estava nesse dia, fomos depois noutro dia os 3. Olha que giro que foi. fartei-me de correr e saltar e rebolar com os papás e com mais 500 humanos que lá estavam. Aquilo tinha era muita água que fazia um barulho estranho e alto. Como eu me assusto com barulhos altos e novos, nem fui ver o que se passava ali, não fosse aquilo fazer-me mal, mas como o meu papá é um atrasado mental, levou-me lá para dentro. Primeira sensação...alguém despejou o pote de sal aqui para dentro desta banheira...segunda sensação....hummm, que quentinha. Grande descoberta, sei nadar!!! Portanto se o mundo acabar com uma enchente eu já me safo porque sei nadar. Nadar é porreiro, mas só em caso de necessidade porque aquilo cansa muito, então de cada vez que os meus papás me punham na água eu ia a nadar para cima deles...eu gosto muito de correr...não de nadar! Papá a ver se te lembras disso da próxima vez!
Acho que uma vez fiz uma coisa muito má, porque até a minha mãe me deu carinhos fortes. Eu passo a explicar...uma vez mais estava sozinho em casa e deu-me uma vontade enorme de fazer xixi, ora como estava em cima do sofá e não dava tempo para descer, resolvi fazer em cima de uma almofada (com as quais também gosto muito de brincar) para não fazer directamente no sofá, a coisa não correu muito bem porque o xixi resvalou para cima do sofá. Quando os papás chegaram a casa, o papá entrou e saiu logo para o pátio (acho que foi apanhar ar) e a mamã ralhou muito comigo e deu-me alguns carinhos fortes. Acho que ela nunca teve problemas de bexiga como eu tenho. Entretanto o papá entrou, pegou nas coisas dele e saiu novamente passado um bocado voltou com uma caixa estranha que vim a descobrir que queriam fazer daquilo a minha casa de banho privativa. Ora eles ás vezes não pensam, porque aquilo tem uma porta que não consigo abrir e de cada vez que se vão embora deixam-me lá dentro. Ora como querem que eu faça ali as minhas coisas????? Daaahhhhhh papás, não dá, porque depois ia ficar cheio de xixi e coco. Então olha, resta-me esperar que aquelas alminhas cheguem a casa e depressa me deixam no pátio e lá tenho que fazer as coisas ao ar livre. Enfim, acabei por me habituar a cena de fazer coco ao ar livre e agora até acho porreiro (a aragem refresca a coisa e aqui como faz muito calor, ajuda) e então de cada vez que quero fazer, peço aos meus papás para ir e eles põem-me lá.


O chato é de manhã, que tenho que acordar a mamã (sim a mamã porque se acordo o papá a coisa é capaz de correr mal  para o meu lado) e ela vem comigo e tudo. Que simpática.
Bom com isto tudo, os carinhos fortes diminuíram bastante e os prémios (biscoitos deliciosos) aumentaram em grande numero. Portanto agora faço tudo cá fora para ver se me calham prémios que são maravilhosos. Eles também arranjaram uma cena fixe (um osso) que deixam sempre comigo dentro da caixa o que é porreiro porque assim de cada vez que me dá a comichão eu vingo-me no osso.
Agora o que está na berra é dormir em cima do meu papá enquanto ele anda a ver coisas estranhas nesta máquina. Afinal o papá está a tornar-se um tipo porreiro e já não manda vir comigo tantas vezes.



Bom, não é para me gabar mas sou um cão muito fotogénico. Deixo-vos aqui algumas das minhas posses que qualquer uma delas dava. na boa, capa de uma revista canina (estranho que o papá só me tira fotografias quando estou a dormir ou a acordar...eu não estou sempre a dormir....acho eu).







Bom vou parar de escrever isto porque o papá deve de estar a chegar da casa de banho dele e se ele me apanha aqui, a mexer nesta coisa e a por fotografias e tudo, é capaz de começar a espumar da boca outra vez (neste momento estou a rezar ao meu Deus canino para que o meu papá não dê conta de nada)....vou ali dormir uma beca.
Gostei muito de partilhar aqui as minhas coisas com vocês. Gosto muito de vocês.
Até já.

Ass: SID

P.S. - Prima, desculpa eu ter estragado isto, mas tinha um ar tão apetitoso e deu um jeitasso para a maldita comichão. Os papás é que não gostaram nada....deixo-te aqui uma fotografia para que vejas a obra de arte (sim para mim era uma obra de arte, até que os papás chegaram a casa e eu percebi que arte não é bem o meu forte)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O jardim zoológico

Ao que parece, tenho um jardim zoológico em casa! Entre os animais domésticos normais (moscas, mosquitos, melgas, formigas, etc), temos também baratas, lagartixas, bichos com muitas patas, bichos com cores interessantes, etc.


Não faço a mínima ideia que espécime é este (ainda estou a catalogar as espécies e a construir o seu habitat natural), mas achei piada e tirei fotografia. Infelizmente é o único espécime do qual tenho registo fotográfico, os restantes são um bocado tímidos. Claro está que não sobreviveu para contar aos amigos que foi fotografado.
Para além deste estranho bicho, temos também uma lagartixa (eu julgo que é sempre a mesma) que anda por aqui a passear todos os dias. A particularidade deste, é que é uma lagartixa toda branca.
Estes são apenas dois casos peculiares que me lembro e que encontrei até agora (infelizmente só fotografei este espécime). Temos muitos animais aqui que eu nunca tinha visto (a maior parte deles são voadores) e temos também um que é comum em muitas partes do globo......baratas!!!
Estes animais parecem-me perseguir, porque já tive a minha dose de baratas em Portugal (pensava eu). Aqui é algo tão comum, que é quase comparável a formigas. A diferença está em que, são maiores, estalam quando são pisadas, têm um aspecto nojento e, como as coisas só têm tendência para melhorar, elas voam.
Normalmente associamos as baratas a sitio sujos, com muito lixo, onde existem uma serie de doenças, etc. Aqui isso não acontece. Não é que sejam as ruas mais limpas que eu já tenha visto, mas não existe lixo amontoado na rua e no entanto, elas andam na rua. No outro dia estava a voltar para casa, quando vi 4 baratas no meio da rua (certamente iam ás compras), dai a comparação com formigas. Também já encontrei uma dentro de um centro comercial, tranquila da vida!
Aqui é uma guerra para conter estes bichos, porque eles voam!!!! Supondo que se coloca veneno para as matar, num determinado sitio, efectivamente o veneno vai matar aquelas que se encontram próximo do veneno. No entanto, como elas voam e o veneno não dura para sempre, vão voltar a aparecer baratas porque vêm de outra parte da cidade, ou mesmo de outra cidade ou ainda do meio da selva.
Infelizmente é algo com o qual temos que conviver. O meu amor, é que não acha muita piada à coisa e quase que se lhe dá 3 ou 4 AVC's seguidos de cada vez que encontra uma. Eu por outro lado, já vou com uma contagem jeitosa......10-0. Zero porque ainda nenhuma barata me conseguiu esmagar contra o chão.

A nossa casinha!

Este blogue anda uma missa porque não tenho tido muito tempo para escrever e a criatividade também não tem sido muita. Entre procura de casa, mudar de casa, procurar emprego, visitar a sogra, ambientar o cão, etc, não me sobrou muito tempo para continuar a contar as curiosidades de Playa del Carmen/México.
Hoje em vez de andar aqui a explorar alguns tesourinhos deprimentes, vou explorar o tema casa.
Quando chegamos ao México, ficamos em casa de um casal amigo da minha digníssima esposa. Um argentino e uma cubana, que de uma forma muito simpática nos acolheram. Gente boa e simples, que não me conhecendo de lado nenhum, me acolheram em sua casa dando-me tudo o que podiam. Deixo aqui publico o meu MUITO OBRIGADO por tudo.




Ora como nós não podíamos ficar ali eternamente (não é que me importasse muito porque eles são muito simpáticos e a zona era muito gira, como puderam ver), dedicamos grande parte do nosso tempo a procurar casa. Vamos então ver nos jornais e numa revista muito popular aqui que se chama Andale (para os mais curiosos, a revista tem site). Ligamos para meia dúzia de estúdios e pegamos nas perninhas (sim porque carro que é bom....nada) e vamos lá ver esses estúdios.
Andávamos à procura de algo no centro de Playa del Carmen, porque o futuro trabalho da minha esposa, ficava perto do centro e como ainda ninguém se chegou à frente para nos oferecer um carro, assim estávamos mais perto de tudo e do seu trabalho.
Os estúdios que fomos ver eram qualquer coisa de espectacular!!! Não, não eram nada espectaculares (mas podiam ser). Eram deprimentes. Infelizmente não tirei fotografias a nenhum, mas lembro-me particularmente de um, que ao lado tinha um dentista, por baixo tinha uma loja de reparação de ar-condicionado (um sucesso por estas bandas este tipo de negócio) mais uma quantidade de outras lojas pequenas e mais uma avenida principal mesmo em frente. Por dentro tinha quatro paredes, um tecto e um chão (o que já é bem bom), uma cama, duas cadeiras de plástico, um "fogão" eléctrico de dois bicos, lava loiça, um chuveiro que metia medo, sanita e lavatório. Tinha também uma ventoinha de tecto e como bónus tinha um cheiro pestilento que só me fez lembrar os orcs do filme "Senhor dos Anéis" ou qualquer outro animal pestilento que se vê nos filmes. Só faltava ver meia dúzia de "cucarachas" (para quem não conhece a música da cucaracha e não sabe o que é, eu ajudo e traduzo....cucaracha=barata(animal)) por ali instaladas a dizerem-nos "Olá, vizinhos! Sejam bem vindos à nossa humilde casa".
Depois de alguns estúdios vistos e passados alguns dias, comecei a desesperar, não só porque não encontrávamos nada de jeito, mas também porque já estava farto de fazer quilómetros sob um sol abrasador.
Tínhamos vindo de ver mais uma casa degradante, quando demos com um catrapázio gigantesco que dizia que alugavam apartamentos mobilados. Olhamos para o edificio e até tinha bom aspecto e resolvemos ligar. A senhora veio passado 15 minutos e......Bingo!!!!! Tinhamos achado a polvora! Uma casa, com um quarto se parado do resto da casa e a casa de banho também, onde aparentemente não existiam baratas, com internet, moveis, ar-condicionado, a 4 quarteirões da praia e a uns 10 do trabalho da esposa e ainda por cima a um preço relativamente barato. Muito bom!
Vou agora passar a fazer a visita guiada da coisa:


 Não, não faltam as guaritas, nem é a entrada de um forte e muito menos tem algo relacionado com o exército mexicano. Esta é a entrada para a nossa casa (como vêm o catrapazio é gigante). A casa não fica aqui na frente, mas sim nas traseiras desta casa, onde temos que passar um mini corredor para ter acesso à nossa casa, o que é muito bom, porque não estamos próximos da estrada e assim não estamos constantemente a ouvir os carros a passar.


Tirando as malas, tudo o que se encontra na foto faz parte da casa. A maior parte das pessoas nesta altura está a pensar, "Mas isso é o normal. Alugas uma casa e vem com os moveis.". Pois aqui não é bem assim, bom pelo menos pelo preço que pagamos.
Entretanto o senhorio (um italiano), antes de chegarmos, mandou pintar a casa e depois de já estarmos instalados, envernizou os móveis e comprou um sofá novo, porque este estava todo quinado.


Esta porta dá acesso ao quarto.

 
 Aqui temos o quarto, com ar-condicionado, que é algo essencial para se conseguir dormir com tanto calor e ainda tem um ventilador de tecto, à semelhança da sala/cozinha.
Aqui encontra-se a casa de banho, pequena, mas funcional.
O aluguer deste palácio, com internet, tv por cabo e aguá incluído no preço, dá a módica quantia por mês de $5000 pesos mexicanos (podem fazer as contas a $10000 pesos por pessoa de salário mensal). Não é caro, tendo em conta a localização e a estrutura da casa. Cheguei a ver estúdios pelo mesmo preços (mais próximos do centro) em que não tinham praticamente nada.
Claro que tínhamos casas, com melhores condições e mais baratas, ou pelo mesmo preço, mas longe do centro em que tens que ter obrigatoriamente um carro para te poderes deslocar, caso contrário, acaba-se por se gastar muito nos "transportes públicos" (um tema a desenvolver noutro post).
Resumidamente, estamos muito contentes com a casa e com os vizinhos que é uma mistura de culturas (quase que posso dizer que moro num "condominio" da ONU). Temos como vizinhos, um servio, 2 cubanos, 2 mexicanos, 2 argentinos e nós, 1 português e mais 1 cubana. Temos também outro tipo de vizinhos que vão desde 4 patas até umas 30, mas isso também será desenvolvido em outro post.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O primeiro choque!!!


Nós estamos habituados a que quando vemos uma casa com mau aspecto, tiramos logo a conclusão que são pessoas pobres. Quando vemos varias dessas casas juntas, concluímos que se trata de um bairro pobre, com criminalidade e cheio de pessoas mal intencionadas. Eu como sou Português há 31 anos e nunca sai da Europa, quando aqui cheguei foi um choque.
Durante a viagem entre Cancun e Playa del Carmen, só se viam “barracas” à beira da estrada, a polícia com coletes aprova de bala e espingardas automáticas e barreiras policiais. Pensei que me tinha enfiado no gueto, mas também pensei, isto depois na cidade muda!
Quando fomos jantar, o restaurante situava-se mesmo no centro e a coisa piorou substancialmente. Muitas pessoas na rua, a maior parte delas com aspecto de que te vão espetar duas facadas para te assaltar, muitas casas pequenas e degradadas, a electricidade a passar por postes e não debaixo de terra, muitos carros quinados e muita polícia, todos com coletes a prova de bala e metralhadoras automáticas. O aspecto do restaurante também não melhorou….cadeiras de plástico, portas todas abertas, televisão que se via com muita chuva, um calor infernal e algumas pessoas com aspecto duvidoso lá dentro. Pensei que seria o meu fim ali.
Esta foi a minha primeira impressão do México. Que existia alguma pobreza e que eram todos bandidos e gatunos. ERRADO!!!!
Com o passar dos dias, fui observando as pessoas, os lugares, o estilo de vida. E consigo perceber (posso estar equivocado porque estou cá à pouco tempo, mas duvido) que não são bandidas, nem gatunas, nem pobres, nem nada dessas coisas más. São apenas pessoas simples, muito trabalhadoras, que são felizes com pouco.
Nós (europeus) temos a tendência para valorizar os bens matérias. Em Portugal, acontece muito frequentemente sermos julgados pelo carro que temos, pelo telemóvel, pelas roupas……muitas vezes não somos avaliados como pessoas mas sim como bens de consumo. Aqui isso é diferente e começa cedo nas escolas. Já tive a oportunidade de passar por algumas escolas em todas (publicas e privadas) as crianças e adolescentes adam com uniformes. Sejam pobres ou sejam ricos, andam todos vestidos de igual, evitando assim julgamentos prévios só pelo estilo de roupa que tens ou pela qualidade da mesma. As pessoas não têm pouco porque não têm dinheiro, mas sim porque não precisam e não ligam aos luxos que a maior parte de nós nos habituamos e com os quais não podemos viver sem eles. Eu dou como exemplo os carros e as casas. Os carros aqui andam quase todos batidos. São poucos os que andam inteiros! Ou têm um farol partido, ou uma amolgadela, ou riscos ou a pintura toda quinada, mas andam assim, não porque as pessoas não tenham dinheiro, ou porque não hajam mecânicos (até os há em bastante quantidade) mas sim porque as pessoas não são escravas dos bens. Para elas o carro existe para os servir e não o contrário e quanto menos gastarem nisso, melhor para elas, porque ficam com mais dinheiro para outras coisas, como a educação dos filhos, ou comer, ou passear, ou que lhes apeteça fazer. Como não são julgadas pelo que têm, pela aparência, não ligam e não investem nisso. Não é como muita gente que conheço que o carro tem um riscozinho de caca e ficam logo doentes e vão logo comprar tintas ou mandam pintar o carro, só por causa de um risco. O mesmo se passa pelas casas. As casas estão quinadas ou semiacabadas pelas mesmas razões que os carros estão quinados. Desde que a casa lhes sirva para dormirem e passarem tempo de qualidade com a família, é o que interessa. É claro que como em todo o lado existem casas boas…urbanizações novas e claro esta que as pessoas também compram casas ai, mas não vão estar a empenhar uma vida inteira por causa de uma casa. Se não têm dinheiro para pagar a casa em 5 ou 10 anos, simplesmente não a compram. Não contraem dividas desnecessárias que lhes pode comprometer os estudos dos filhos e o seu tempo de qualidade com a família e passeios e tudo e tudo.
Outra curiosidade e choque é a falta de stress e a felicidade das pessoas. Ninguém anda stressado nem com má cara. Se formos à baixa em Lisboa, vemos várias pessoas a caminhar muito rápido, outras a correr e grande parte (tirando os turistas) com a cara fechada e mau humoradas. Aqui…não à nada disso. É claro que também há pessoas mal humoradas ou com algum stress, mas isso é inevitável em qualquer parte do mundo. No centro…baixa de Playa vê-se as pessoas a caminharem calmamente, sem stress, com sorrisos na cara, a cumprimentar este e aquele e notasse alguma felicidade nos rostos. Portanto, as pessoas são felizes com pouco…..ou se calhar elas é que têm muito e nós……bom, fica ao critério de cada um avaliar o que lhes faz mais falta…se tempo de qualidade a passear com quem mais gostam ou um computador de ultima geração.
Para já foi esta a ideia com que fiquei deste povo aqui de Playa. Um povo simples e sem stress que aproveita o que a vida tem de bom para nos dar sem se agarrarem aos bens materiais.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A chegada


A chegada foi algo de maravilhosamente bom!!!!! Ou então não! A aproximação foi feita sempre dentro de nuvens. Saímos das nuvens prai a uns 200 metros do chão, portanto a primeira impressão do México foi algo de extraordinariamente……branco!!! Sai-se do avião e vai-se buscar as malas e a primeira impressão que tive, foi que esta gente não viajava com muita coisa, porque os carrinhos das malas, são minúsculos. Parece aqueles carros de compras do continente em que dá para enfiar dois cestos no carro e vai-se às compras, pois aqui era o mesmo, o carrinho de bagagens dava para 2 malas médias. Ora tendo em conta que nos tínhamos 7 malas, a logística de transportar malas ficou um bocado complicada. E de repente lá se viu alguém com um carrinho de bagagens maior (tipo os de Lisboa) no entanto, a caírem de podre, com as rodas soltas e cheios de ferrugem. Calhou-me um carro com uma roda completamente solta que estava sempre a virar para a direita, sair dos tapetes das malas até cá fora foi um desafio que nem imaginam. Conclusão da primeira impressão, estes gajos viajam com duas malas e pronto!
Chegados ao “check-out”, uma fila pequena e eis que surge um sistema de inspeção “brilhante”!!! Depois das bagagens terem passado pelo raio-x temos que as por no carrinho e dois passos à frente temos que carregar num botão que nos vai dar um sinal luminoso de um boneco verde ou vermelho. Se sair verde, pegas na trouxa e segues a vidinha, se sair vermelho basicamente desfazes as malas ali mesmo, como se já estivesses em casa! Para nossa sorte saiu verde (eram 7 malas para tirar tudo la de dentro e voltar a por) no entanto a India que lá estava viu uma mala muito grande e deve de me ter achado com cara de mafioso que resolveu pedir para inspecionar….sorte que não tivemos que tirar tudo fora e a mocinha que depois apareceu muito simpática, só enfiou as ganfias la dentro umas quantas vezes e mandou-nos a nossa vidinha.
Chegando cá fora……derreti!!!! Um calor infernal e adivinhem……..estava a chover! Mas não era daquela chuva “piquena” mas sim a chover como se não houvesse amanha. Estranhamente aqui dá algum prazer andar a chuva, porque o calor é tanto que é mais uma forma de te refrescares. Como estamos no México, não podia faltar à porta do aeroporto uma barraquinha de Margaritas! Bem que procurei uma de tacos mas estranhamente não havia o que me deixou algo desiludido e com vontade de voltar a apanhar o avião de regresso.
Lá encontramos a nossa boleia e ai estava mais um desafio…..como vamos enfiar 7 malas de viagem e 4 pessoas dentro de um Ford Focus de mala comprida?!?!?!? A verdade é que la coube tudo e nos fizemos a estrada para Playa del Carmen.
A primeira impressão a chegar a Playa del Carmen, foi…..MEU DEUS!!!!! ONDE VIM PARAR?!?!?! Não me vou alongar neste assunto porque vou dedicar um post a isto.
Largando as malas em casa e cheios de fome la fomos comer......TACOS!!!!! Yuppi!!!! Estava feliz da vida. Finalmente ia provar tacos! Epá e que cena tão boa e não muito cara. Chegaram os tacos com óptimo aspecto, juntamente com uma Corona e uma cena com 4 “molhos”. E como eu nem gosto de comer, vai de agarrar logo o primeiro e pegar no primeiro molho e “esfregar” o taco com ele, mete-se a boca e ……….. acontece algo parecido a uma explosão atómica bocal!!!! Muito picante, mas que passa muito rápido e os próximos molhos que experimentas já não “picam” tanto. Então a cena é, tens uns que são explosões atómicas bocais e outros que são um incendio florestal que vai crescendo na boca e garganta……no entanto, e eu nunca fui muito apaixonado por picante, são bons e habitua-se rapidamente!












Nota: Tive uma baixa durante a viagem…o meu Ford Mustang desintegrou-se…..sniff, sniff!!!!